Resenha: Elle S. - Kitty

Kitty é uma gata sarcástica e cheia de mistérios que aprendeu a viver nas ruas há mais de quatrocentos anos. Independente e esperta, ela foge de qualquer contato humano, já que deixar-se ser adotada é o seu pior pesadelo. O grande medo dessa felina é que alguém desperte dentro dela o seu maior segredo. 
Vivendo nos becos da cidade de São Paulo, Kitty conquista o coração de Eduardo e, contra sua vontade, vira um animal de estimação. Tudo o que essa gata não queria que acontecesse.
Entre as diversas tentativas de fuga, ela se vê cercada de afeto e carinho pelo seu novo dono e começa a ser cativada. Então, é Eduardo, seu dono ruivo e charmoso, que desperta o que Kitty tem de pior. Quando ele deseja que sua amada amiga de estimação seja mais do que ela realmente é, a gata precisa correr contra seu próprio instinto. 
Ser quem ela foi condenada a ser, ou viver como quem ela verdadeiramente é? Dividida entre duas espécies, Kitty precisa decidir o destino de sua vida para viver um grande romance.


O que mais me chamou atenção nesse livro foi a sinopse (muito original) e a capa, mais especificamente, os olhos da mulher na capa (amei os olhos) e, bem, o livro é narrado por um gato! E tenho uma queda tombo por Ed Sheeran, então, o livro tinha tudo pra me atrair. 

Kitty é bem difícil, já faz algum tempo que ela é uma gata de rua independente e quando Eduardo tenta domesticá-la ela não aceita muito bem e "tenta" fugir, chegando mesmo a fazer alguns planos para essas fugas, mas acaba si deixando cativar por Eduardo. E nessa parte eu entendo Kitty é realmente muito fácil se apaixonar por Eduardo, ele é doce, compreensivo, bonito e, verdadeiramente, se importa com Kitty e mesmo esta colocando suas defesas lá em cima ele acaba derrubando cada uma delas com seu jeito fofo.
"A beleza não era vista pelo lado de fora, mas pelas atitudes, por quem a pessoa era por dentro. E ainda que seus cabelos ruivos e olhos castanhos fossem mais os charmosos que eu já vira, a maneira doce como ele tratava a mim, um simples animal, e todas as suas gentilezas ou seu enorme talento, faziam com que ele fosse lindo."
Agora Eduardo: conhecemos Eduardo através dos olhos de Kitty e ele é doce e meio sem noção. Quer dizer, fazer um jantar romântico pra Kitty e seu companheiro felino? Ou conversar sobre a primeira vez com ela? Foi só... esquisito, Kitty mesmo admite isso. E que tipo de pessoa não se assusta ao ver alguém desconhecido na sua casa, por mais bonita ou pelada que ela esteja? Eu, pelo menos, acharia que além de ladrão era um pervertido e não, não tentaria beijá-la sem ter antes ao menos uma conversa sobre os "porquês e quem". Sem falar da namorada vadia dele e não entendo como alguém tão doce pôde se apaixonar por aquilo ou ser tão cego pra suas maldades.
"E amava cada pedaço dele. Amava-o exatamente daquela maneira e por tudo que ele era. Amava suas qualidades e defeitos. Amava a maneira como seus olhos se iluminavam quando estava desenhando, amava a pequena cicatriz quase imperceptível em cima do seu lábio, mas também amava a sua mania de coçar os olhos e nariz quando estava distraído."
Outra coisa que senti muita falta no livro: os diálogos entre os protagonistas. Eu posso, realmente, entender porque Kitty se apaixona por Eduardo, mas não entendo porque Eduardo se apaixona por Kitty além do fato dela ser bonita. Também achei todas as pessoas muito crédulas quanto ao "segredo" que não é tão segredo assim de Kitty.

Mesmo com todos seus pormenores, Kitty mostrou-se um livro doce e engraçado, em suma, realmente muito bom. Pra quem não sabe reluto muito na hora de ler um livro nacional (chame de preconceito se quiser, mas eu tento), pois nunca encontrei um que, de fato, me agradasse, com Kitty tive uma experiência diferente que me deu esperanças em encontrar mais livros como este no mercado brasileiro.

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